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imperioso,

o sol vespertino toca a relva
levantando o cheiro fresco,
vívido e lisérgico,
rompendo o silêncio glacial
dos espíritos repousantes
nas esquinas da mente

remove-se o band-aid:
falta de sincronia
entre os sentidos;
a cada passo dado,
sente-se o peso da alma
o agridoce na língua
o nó na garganta
encarcerando o choro

aos solavancos
caminho até o fundo do quintal;
sento-me ao lado do mimo-de-vênus:
nem mesmo o chá de hibisco
pra afilar o tamanho da saudade

meu cérebro: morada de raízes secas
anfitrião de ossos,
vísceras implodidas
e sangue azul;
meu coração: repouso para os corvos
guardiões da morte e da memória
e eu me atenho a memórias
como quem se atém a um colete salva-vidas

a vida se decompõe no solo
e os tesouros permanecem escondidos
na superfície
criando raízes
florescendo
e continuando
tendo o seu valor reverberado em vida
gerando mais vida
e para sempre espalhando boas novas.

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